22.9.09

{:::}

no sentido contrário,

minha gente anda

contra a parede,

numa pobreza esperta.

15.9.09

{:::}


pelo olhar,

de um latino incorrigível

em tempos e lugares

além da vida e da morte

um sonho distante,

entre vida e obra

durante parte da vida,

sem as asas do bom senso.

11.9.09

{:::}

vivo

só -

zinho

a vida

sem dar

conta

de recados.

10.9.09

Que graça tem?

Que graça tem,

comer o que não tem?

Qual é a graça

de passar o comparsa pra desgraça?

Servir ao ódio não posso.

Mas como servir ao amor sem amigos?

Propriedades, pobreza e destruição.

Pegar a navalha e meter na carcaça.

Tufão varreis esse mundo cão!


Em parceria com JPR (ebolas) a muitos anos.

7.9.09

Amanheço quando a noite cai,

e toda uma ânsia se dilui

com os tons avermelhados do céu.

Chovo ao som de diversos cantos

Ritualizando a chegada da noite.

Lembranças de concreto me escondem.

Sinto um frio condensar-me a costela.

Será calafrio ou tristeza vazia?

Será desilusão ou noite finda?

É febre, febre fria!

6.9.09


(...)

*Tradução de Isabel Abascal


huye todo lo que soñé
la vida después,
está haciendo falta
... ... ... ... ... ... ... ...
en un nuevo tiempo
paciente la propia suerte
la voz ronca viene de fuera
impaciente
cruza mis tímpanos.

29.7.09

Labuta



......................em más condições
......................de trabalho
......................canavieiros atuam
......................no plantio da cana
......................sem direito a água,
......................banheiro
......................e equipamento de proteção
......................duvida?
......................vejá-lhes as mãos

Comecei a labutar cedo na roça. O que me sustentava durante o dia, era um punhado de farinha com sal e um pouco de água salobra.




27.7.09

{:::}


Cartas de doações


o retrato dilacerante

de um rebolado

é deprimente.

24.7.09

A última palmada

Sobre o estado de minha mulher

no vai e vem

a menina

flutuava.

Alinhar à direitahoje,

só o vento

move

o balanço.

Eu sempre fui espancada.

Sempre.

Desde o começo.

Não tinha horário, era de noite, de madrugada, de manhã. A qualquer hora.

Quem me espancava?

Não, não era o meu pai. Nem cheguei a conhecê-lo. Ele foi mais um desses que na hora do vamos ver dá pra traz.

Eu era espancada pela minha mãe.

A que me colocou no mundo sem eu pedir.

Ela não era sã das idéias. Quando surtava me batia, me enchia de pancada.

Eu nunca me dei bem na escola. As vezes mal conseguia sentar-me na carteira. Minha bunda doía. Meus braços doíam. Minha alma doía. Eu era um poço de dor.

Ontem foi a última vez que a minha mãe me deu uma surra. Demorei pra chegar em casa, pois sabia da possibilidade de apanhar dela. Por isso fiquei perambulando por uma praça, e quando me deu fome voltei.

Se não fosse a fome, eu não teria apanhado.

Cheguei em casa e minha mãe estava lá: estérica, surtada.

Me chamou de puta, vadia, vagabunda, depravada. E foi logo pra cima de mim, com toda sua insanidade, me agredindo com nunca havia feito.

Gritei, gritei de dor e por socorro.

Quando pensei que a surra havia terminado, corri pro quarto com o sangue me escorrendo pela face. O corpo dolorido. Um poço de dor.

E ela me acompanho, primeiro com os olhos depois com as mãos, atirando sobre meu pobre corpo o armário de roupas.

Parti...

Sobre o estado de minha mulher

16.7.09

Capetalismo

Começo agora a escrever sobre o role do coletivo Poesia Maloqueirista pela ultima Festa Literaria Internacional de Paraty (FLIP), eu e Caco, saimos de Gotam Sampa na quarta-feira as 22hs chegando em Paraty na quinta-feira por volta das 3 da matina, o rolê como sempre foi cansativo, não podemos ir juntos com os nossos companheiros da banda e demais por falta de espaço nos carros devido a aparelhagem do Experimento Prosótypo, pois bem, como diz o velho ditado – a males que vem pra bem – trombamos sem querer Pedro Tostes, companheiro de longa data indo no mesmo onibus que nós, se houvessemos combinado não daria certo.

Chegamos em Paraty e encontramos Romulos e Xicó voltando de balada, e que nos deu uma ajuda com os livros do Pedro que estavam em um carinho e que devido ao terreno que passou quebrou uma das rodinhas, pensando agora, parecia que os livros não queriam ir pra FLIP, sendindo já alguma coisa no caminho das pedras da rodoviária até a casa da dona Lena, onde passamos os dias da Festa.

Como é de praxe, chegamos na FLIP, sem um puto, eu pelo menos, quando acordamos de manhã pedi 2 pilas pro Pedro emprestado pra tomar café, e sai pra trampar junto dele e do Caco, di boa, a grande tenda, os pseudos-leitores aos montes chegando na cidade e nossos livros doidos para serem lidos. Começamos bem, sempre no clima de quem vende mais ou menos, do jeito que eu gosto, pegar pique num clima descontraido, conhecendo pessoas e me divertindo com os parceiros.

Daí menos de uma hora depois que começamos a trampar um fiscal colou no Pedro, fiquei tranquilo pois nunca fui tirado das ruas de Paraty por vender meus livros, até ali, é claro. O Pedro chegou me falando que não poderiamos ficar ali e tal, desacreditei, pois como já disse, nunca fui impedido de veicular meus livros por aquelas pedras, desde 2000, quando encontrava nas ruas a grande figura de Luiz Sergio Dias, poeta de longa data das ruas de São Paulo, vendendo seus livros.

Continuamos ali, trampando, quando diminuiu o movimento, combinamos de passar nas mesas oferecendo os trabalhos, de lá fomos a praça da Igleja da Matriz e passamos a oferecer nossos livros de mão em mãos nas mesas do Café Cupê e do bar do lado, tudo tranquilo, até que eu fui abordado pelos fiscais, fiquei bolado, pois o figura chegou todo educado e pediu para que eu não oferecesse meu material ali, pois a Prefeitura de Paraty e a organização da FLIP não estavam permitindo o comercio de livros durante a festa literaria - Fudeu, pensei, vou ter que veicular meu livro escondido dos fiscais.

Nem deu 30 segundos e quando olho pro lado, vejo o Pedro sendo abordado pelos mesmos fiscais, apreendendo seu material, os ditos cujos levaram os 16 livros que estavam com o ele, alegando que já havia avizado e que este já estava ciente que poderia ter o material aprendido. Pronto, os 16 livros que tinham presentido o que poderia acontecer e que com suas forças sobrenaturais quebraram a rodinha do carinho pra não chegarem na FLIP, estavam presos, e nem são considerados materiais subversivos e nem prornográficos – na ditadura só apreendiam livros quando continham um destes conteudos. O momento foi registrado pelo Ciriaco, que estava na mesma correria.

Ai começamos a correr para liberar geral, pois diante de um ato inconstitucional, da livre expressão em locais publicos, tinhamos que fazer algo para sermos liberados a veicular nossso material, fomos a sede da Off FLIP, onde encontramos o Ovidio, que nos passou o contato dos Organizadores da FLIP, que por esquecer os nomes não vou citar. Fomos em vários lugares e o que ouviamos sempre era que a FLIP não queria ser uma festa comercial, puta que pariu, os caras montam aquelas tendas enormes vendendo um monte de besteiras onde só uma livraria pode expor livros, onde as pequenas editoras não podem expor seu material que na maioria das vezes se trata de publicações onde envolvem autores contemporaneos, e me dizem que a porcaria da festa não é comercial? Que merda foi ouvir isso.

Em fim, conversa vai conversa vem, sempre tentando dialogar, o Marcelino Freire colocou a boca no trombone quando falou na mesa que foi convidado sobre a situação que estava passando os autores independentes, a midia começou a querer saber sobre o assunto e os caras começaram a ficar com o cú na mão, até que entre “aspas” liberaram geral, ainda assim sofremos quando fomos montar nosso equipamento para fazer nossa performance com a Banda Experimento Prosótypo e tivemos que desmontar tudo pois estavamos sendo ameçados de ter os equipas apreendidos pelos fiscais.

O Tesão que havia em estar ali, já tinha sido gasto em várias tentativas de lidar com o Capetalismo da FLIP, sobraram dois dias e meio pra divulgar o trabalho e se divertir, pois estavamos numa festa, e graças aos deuses da cachaça paratience, encontramos o LADO B, um bar muito maneiro atrás da tenda dos autores na praça da Matriz, que nos recebeu com as portas abertas, lá fizemos a festa em meio aos amigos paulistanos, paratiences, gringos e cariocas. Apesar dos pesares da piramede social literária, fizemos nossas trocas, estivemos nas ruas e no mano a mano, veiculando nossos livros, nossas idéias. E entre a ditadura militar e a ditadura economica, vi latente a ditadura literária, impondo com suas plateleiras cheias best seller, a morte da literatura, tenho que dar parabéns ao Itaú e a todos os outros, por patrocinarem a FLIP que é contra a literatura independente, que é contra a livre expressão e que não quer por deveras ser uma festa comercial, mas sim como disse Mauricio Marquez, um Capetalismo Selvagem.